Rio das Ostras oferece Curso Livre de Dança para pessoas com deficiência

Aulas acontecem no Centro de Formação Artística de Música, Dança e Teatro da Fundação de Cultura

A dança é uma manifestação artística e expressão corporal que integra elementos fundamentais como o corpo, o espaço e o tempo, e serve como ferramenta para comunicação, cultura, lazer, atividade física e inclusão. Alinhada a esses conceitos, a Fundação Rio das Ostras de Cultura tem promovido e apoiado o Curso de Dança Inclusiva para Pessoas com Deficiência (PcDs), realizado pelo professor Luiz Kamau, do Núcleo de Expressão Corporal Jhennyfer Victoria, no Centro de Formação Artística de Música, Dança e Teatro. As aulas acontecem às quintas-feiras, de 15h às 16h, para alunos a partir de 12 anos. 

 

O objetivo do curso é fomentar a participação da pessoa com deficiência nas atividades culturais do Município, de forma que ela se veja capaz de criar, de ser ouvida e admirada, desenvolvendo o seu potencial artístico por meio da expressão corporal. 

De acordo com o professor Luiz Kamau, a ideia de desenvolver o curso surgiu após revisitar, por meio de fotos e vídeos, os projetos realizados na Associação Égide, entre eles o primeiro Curso Livre de Danças Urbanas para pessoas com deficiência de Rio das Ostras.

 

“Atuo na área da dança para pessoas com deficiência
há 11 anos. Comecei no Núcleo de Dança Portadores de Alegria, em Macaé. Lá
eu percebi o quanto a dança pode ser uma ferramenta potente para que os alunos
expressem seus pensamentos, desenvolvam seu potencial criativo e a autonomia”,
informou o professor.

 

Para Kamau, a participação de PcDs em espaços
culturais, como os cursos de dança é de suma importância. “As pessoas com
deficiência foram vistas, de forma equivocada, como incapazes de participar
plenamente das atividades sociais, culturais e artísticas. Nesse sentido, a
presença delas em espaços culturais e artísticos é fundamental para a
superação dessas barreiras e para a garantia do acesso à cultura e à dança. No
entanto, inclusão não significa apenas estar presente nesses espaços. É
necessário repensar metodologias, estratégias de ensino e práticas pedagógicas
para que a participação aconteça com qualidade. Sem essa adaptação, a dança
pode se tornar excludente, transferindo para a pessoa com deficiência a
responsabilidade de se adequar ao ambiente, quando o caminho deve ser
justamente o contrário”, declarou.

 

METODOLOGIAS –
Nesse curso, qualquer pessoa com deficiência pode se matricular porque a
proposta pedagógica é justamente a adaptação da metodologia de ensino da dança
para que pessoas com qualquer tipo de deficiência possam experimentar.

 

Durante as aulas, o método de ensino varia de
acordo com o tipo de deficiência apresentado pelo aluno, tendo em vista
as características e necessidades específicas que precisam ser
consideradas.

 

Para alunos com Transtorno do Espectro Autista
(TEA) que apresentam hipersensibilidade auditiva, por exemplo, o volume da
caixa de som é mantido em um nível mais baixo do que o habitual.

No caso de alunos com Síndrome de Down, o
uso de uma linguagem simples e objetiva faz toda a diferença. Além disso,
a demonstração dos movimentos com o próprio corpo costuma favorecer a
compreensão e a execução das atividades.

 

Com alunos cadeirantes, o foco está na adaptação
dos movimentos de acordo com a proposta coreográfica. Eles podem utilizar os
braços para conduzir a cadeira ou para executar os mesmos gestos realizados
pelos demais participantes, dependendo da necessidade de cada sequência.

 

Já com as pessoas com paralisia cerebral, o
trabalho é desenvolvido por meio de pesquisas de movimento, buscando
compreender as possibilidades corporais de cada aluno e explorar diferentes
formas de expressão. Em muitos casos, até mesmo movimentos involuntários podem
ser incorporados ao processo criativo e transformados em elementos da dança.

 

Existem adaptações específicas para pessoas com
deficiência sensorial. Com pessoas surdas, por exemplo, é importante priorizar
recursos visuais, gestos e uma comunicação clara. Já com pessoas cegas,
utilizam-se descrições detalhadas dos movimentos e estratégias como a dança
guiada, em que o aluno percebe o movimento por meio do contato corporal com o
professor, explorando a posição dos braços, pernas, tronco e cabeça durante
a execução.

 

A dança pode contribuir para a inclusão dos alunos
na sociedade de forma geral. Uma das maiores contribuições da
modalidade está na forma como a pessoa com deficiência passa a olhar para si
mesma. Muitas vezes, ao iniciar essa experiência, ela descobre novas
possibilidades de expressão, comunicação e participação social.

 

Além dos aspectos relacionados à autoestima, ao
pertencimento e à socialização, diversos estudos apontam que a dança pode
proporcionar benefícios físicos, cognitivos e emocionais.

 

Pesquisas na área da neurociência
demonstram ainda que a dança envolve simultaneamente funções ligadas
à memória, atenção, coordenação motora, criatividade, percepção espacial e
interação social, estimulando diferentes regiões do cérebro e favorecendo o
desenvolvimento cognitivo e emocional.

 

“Quando uma pessoa com deficiência entra em uma
aula de dança, ela não encontra apenas passos e coreografias. Ela encontra um
espaço de pertencimento, expressão e autonomia, onde suas potencialidades
passam a falar mais alto do que qualquer limitação”, concluiu Luiz Kamau.

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